terça-feira, 24 de junho de 2014

[On Writing] O Mundo de Mel - Capítulo 1: A Culpa é das Estrelas? Não, é do chiclete.



Amanhã é o dia D. Isso mesmo, dia em que estarei indo para o penúltimo ano de minha vida como estudante de ensino médio. Próximo passo? O último ano. Passo seguinte? Faculdade, paraíso, local até o momento utópico, que sei que existe e é perfeito, mas ainda inalcançável. 
É onde irei conhecer pessoas diferentes, e o mais importante, pessoas diferentes irão me conhecer. Por que estou tão animada para isso? Bom passe sua vida inteira estudando na mesma escola, com praticamente as mesmas pessoas, que você terá sua personalidade marcada para sempre.
Sabe aquele deslize que você cometeu na pré-escola? Aquele pequeno deslize, quando você ainda está se acostumando a ficar sem frauda, e você por algum motivo fica nervosa e faz xixi nas calças no meio do parquinho? Isso nunca será esquecido, mesmo que nessa época você mal tivesse cinco anos. E sabe aquela vez que você tenta impressionar o garoto que gosta com suas habilidades radicais inexistentes no skate, e cai de cara no chão na frente de todos. Isso jamais será esquecido, ao contrário, sempre será lembrado, principalmente nos momentos menos oportunos. E se você é o desastre e desatenção em pessoa – o que eu sou – você terá uma coleção de pequenos momentos que te definem como a desastrada da turma. E isso pode até ser engraçado e ‘legalzinho’ dos 0-10 anos, mas aos 16, quando você quer impressionar aquele gatinho em especial, isso é um saco.
         Bom no domingo anterior ao inicio das aulas, eu, Cris e o Beto fomos ao shopping para desfrutar dos últimos segundos das férias e aproveitei para comprar uma mochila nova, que estou enrolando para escolher. Sério. Sou daquelas quase psicopatas com materiais novos de escola. Tem gente que gosta de Hello Kitty, tem gente que gosta de chocolate e tem pessoas como eu que não acha que existe coisa melhor do que comprar os materiais escolares. Faço questão de escolher cada lápis de escrever, mesmo que na maioria das vezes use lapiseira. Cris não entende. Ela deixa a mãe dela comprar junto com o material dos irmãos menores. Eles eu entendo, não sabem nem falar direito, mas ela e seu desapego com tudo chega até ser irritante. Ainda bem que o Beto me compreende. Alias, não seria exagero dizer que ele é mais psico que eu. Esse ano me fez prometer mandar foto de cada caneta para não termos nada igual. Aff, até para mim isso é demais. Mas como vocês irão perceber, o Beto é assim. Exagero é seu nome do meio.
                - Mas você não tinha visto uma mochila lá na loja de surf logo que entramos de férias? – Cris, falou impaciente.
                - Sim, mas aí vi outra na internet e fiquei em dúvida. Pesquisei mais e ainda não decidi. São tantas opções. – digo na defensiva.
                Nem preciso dizer que perdi a discussão e acabei levando a mochila que tinha visto três meses atrás. Ainda bem que ela ainda estava lá. Mas isso não foi nada. Isso foi um detalhe num dia normal de shopping com os best’s. Adivinhem que mais estava lá? Bom, nem tem como vocês adivinharem porque não falei dele para vocês.
                Petrus. Diferente, né? Ele é todo diferente. É o badboy do colégio. Mulherengo, meio playboy. Tudo contra para uma pessoa como eu que me considero super esclarecida deve se atrair. Mas quem manda no coração? Eu que não. Os únicos que sabem da minha queda, ou melhor, do precipício pelo Petrus são meus amigos que acima citei. Beto compreende a atração – inquestionável por assim dizer, com aqueles olhos azuis, os cabelos pretos, o sorriso de matar... parei – mas diz que não é para mim. Como se eu precisasse que me colocassem na real. Eu sei o que posso conseguir. Já a Cris, detesta o Petrus. Ela com sua mania feminista reprova tudo que ele fala e faz, e diz que estou sendo estragada pelos romances da Jane Austen e os contemporâneos YA (Young Adults) que ando lendo com obsessão. Bom discordar eu não discordo dela, nunca li livros bons de romances onde o mocinho e a mocinha eram bonzinhos e perfeitos. Isso não dá romance. Perfeição dá tédio. E se não tolero tédio nas minhas leituras como irei suportar na minha própria vida. Ou seja, estragada para o amor totalmente por culpa dos livros.  
                Parando de divagar sobre o dito cujo, Petrus, adoro escrever, dizer, gritar e sussurrar esse nome. E não, não estou louca, só amando no escuro. Ok, parei. Não sou uma adolescente romântica, não na maior parte do tempo, mas Petrus mexe comigo.
                Voltando ao shopping, estava eu na fila do cinema sozinha enquanto esperava meus amigos trazem as pipocas e refrigerantes. Do nada sinto um toque nos meus ombros. Olho para atrás assim como não querendo nada me dou de cara com o garoto dos meus sonhos, o nome envolta dos corações que escrevo. Petrus.
                - Melina, não? – ele sabe meu nome. Ele sabe que me chamo Melina. Quem diria. Ele nem é da minha sala, tem um ano a mais, é da sala do meu irmão, e apesar de estudarmos na mesma escola há uns 14 anos, nem em um milênio achava que ele sabia que eu existia. Morri.
                - Oh, S... Si... Si..m – respondo com dificuldade, e engolindo o chiclete que mascava.
                Agora eu sei que era pelo chiclete, mas na hora achei que era nervosismo, palermismo ou sei lá o que. A única coisa que entendia é que ele estava ali na minha frente, falando comigo e eu não conseguia falar nada mais que sim. Na verdade nem conseguia respirar direito. Já ficou sem conseguir respirar? É simplesmente desesperador. Devo ter feito as caras e bocas mais feias da face da terra, porque Petrus olhou para mim estranho e ficou perguntando se estava passando algo. Nesse momento a Cris chega e como sempre está em sintonia comigo, entendeu o problema sabe lá como, e me deu um “tapão” nas costas tão forte, mas tão forte que respirei novamente, mas segundos depois vejo Petrus tirando algo do cabelo. O que seria? Se você chutou chiclete, acertou. Da minha garganta direto para os cabelos negros e sedosos do garoto dos meus sonhos.
                - Desculpa  - Digo pegando o chiclete da mão dele e indo jogar no lixo. Quando volto não tenho coragem de olhar para ele. Olho direto para meus amigos que estão lá na maior gargalhada. Beto chegou, ficou sabendo do acontecido e achou a coisa mais engraçada da face da terra. Só que não, né?
                - Isso foi tão Mel – disse Beto entre uma gargalhada e outra.
                Era disso que eu estava falando. Uma vez que sua reputação era criada, você tem que deitar na cama e relaxar, porque nada irá mudar. E pelo jeito outra coisa que não iria mudar era o meu status de relacionamento no facebook. Depois dessa gafe, minhas chances de 5% - que pensei que tinha assim que ouvi meu nome sendo declamado por aquela boca perfeita – foi para -1000% depois do chiclete babado no cabelo do garoto. Se você acha que ser você é difícil, Mia*, tente ser a Mel por apenas um dia.
                Ah, e nem pergunte qual o nome do filme que vimos, pois não sei, não prestei atenção e tenho raiva de quem prestou, pois meu dia depois do incidente passou de bom para ruim, e depois péssimo. Isso porque Petrus e a gatinha da vez (que nem tinha reparado antes) sentaram na minha frente e se beijaram e gargalharam durante TODO filme. Um dia péssimo para ser Melina Gouveia. Really, believe.  

*Mia Colucci: personagem da novela adolescente mexicana Rebelde que passou (e passa) no SBT e no Boomerang na TV à cabo. Super recomendado. Sem preconceitos galera! rsrs

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Para ver as crônicas anteriores do Mundo da Mel basta ir na aba O Mundo da Mel ou clicar aqui.

10 comentários:

  1. Você escreve realmente super bem! Te desejo felicidades nesses próximos passos da vida!
    Um beijo, e parabéns pelo blog!
    www.makeupageek.wordpress.com

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    1. Brigada pelo elogio.
      Espero melhorar mais e mais.
      Visite sempre.
      beijão
      Sha

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  2. Oi Sha!
    Não conhecia o Mundo de Mel ainda! Uau! você escreve super bem! Vou ler o resto qualquer hora dessas! :)
    Parabéns, mesmo!!
    Te indiquei para um TAG ok?

    um beeijo Lara
    http://meusmundosnomundo.blogspot.com.br/

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    1. Brigadinha Lara. Lê mesmo. Ando lerda pra escrever, mas vou tentar melhorar isso.
      Uma tag? Que honra, vou lá ver pra responder!
      beijão
      Sha

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  3. Ps: mudou o template ou é impressão? tá tão lindo! ahha

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    1. Num é que mudei... mas tem um tempinho... bjo

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  4. Olá... Achei muito divertido o q se passou com a Mel.. Me identifico bastante já que sou a desastrada em pessoa.. Sempre faço uma dessas coisas e é verdade,. As pessoas nunca mais esquecem.. E resolvem contar pra todo mundo kkkk
    http://foreverabookaholic.blogspot.com.br

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    1. Então, muita coisa da Mel é nada a ver comigo, mas essa parte desastrada sou eu, juro! kkkkk
      Pessoas são fodas, sempre gostam de "tripudiar" da desgraça alheia. E as piores coisas sempre acontecem quando estamos acompanhadas.
      Continue acompanhando aqui.
      beijão
      Sha

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  5. Oi Sha,
    Fiquei com dó da Mel...hahahha
    Adoro as aventuras dessa menina. E você escreve muito bem.

    Beijinhos,
    http://minhacontracapa.com.br/

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    1. Thai, valei pelo elogio... e continue com a Mel que isso é apenas o começo.
      beijão,
      Sha.

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